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DERMATITE ATÓPICA: A COMPLEXIDADE E A IMPORTÂNCIA DA ABORDAGEM MULTIDISCIPLINAR

por Dras. Cláudia Soido Falcão do Amaral e Maria Luiza Oliva Alonso
Membros da ASBAI RJ

A dermatite atópica é uma dermatose inflamatória crônica e recidivante caracterizada por lesões eczematosas, as quais coçam muito (prurido intenso) e apresentam localização típica de acordo com a idade do paciente.

Convencionou-se dividir a dermatite atópica em três formas em função da idade e da localização das lesões: a forma infantil, cujo acometimento ocorre até os dois anos de idade, a forma juvenil de 2 a 12 anos e a forma adulta, a partir dos 12 anos.

Na forma infantil, as lesões são mais eritematosas isto é, mais avermelhadas, coçam muito e são mais úmidas. Acometem principalmente a face, mas podem estender-se para pescoço, fronte, tronco e superfícies extensoras dos membros.

Na forma juvenil as lesões tornam-se mais ressecadas, descamativas e em função do ato de coçar, a pele fica espessa. Nessa forma as lesões tem predileção pelas dobras antecubitais (dobras dos braços), fossas poplíteas (atrás dos joelhos), além do pescoço, punhos e tornozelos.

Na forma adulta, a pele torna-se muito ressecada, espessa, as lesões localizam-se preferencialmente nas dobras, mas é comum o acometimento de áreas extensas do corpo. A coceira também está presente.

Embora haja esta padronização didática, devemos lembrar das localizações atípicas, isto é, aquelas cujo eczema ocorre em áreas que não são as mais esperadas de acordo com a faixa etária do paciente.

A dermatite atópica atinge cerca de 10 a 20% das crianças em todo o mundo. Seu predomínio é na infância com manifestações clínicas iniciais nos primeiros cinco anos de vida em 90% dos casos.

De acordo com dados estatísticos da literatura, cerca de 60% dos pacientes ficam assintomáticos até a adolescência, entretanto, os 40% restantes continuam apresentando sintomas por toda a vida. Portanto a nós médicos cabe desmistificar, ou seja, orientar, mostrar as dificuldades, a importância do controle permanente da pele, pois mesmo quando estiver bem, o paciente deverá manter todos os cuidados gerais como a hidratação que é fundamental, os cuidados com a frequência e duração dos banhos, tipos de roupas, o controle ambiental, enfim tudo o que faz parte da manutenção do quadro. Na agudização o paciente será tratado sintomaticamente em função da intensidade do acometimento cutâneo. São muitas as medicações disponíveis, mas não existe um tratamento único, uma receita única para todos, pois cada paciente será tratado individualmente.

O seu diagnóstico é clínico, pois não há exames laboratoriais específicos; é uma doença geneticamente complexa, de difícil manejo, dependendo da intensidade e da extensão das lesões e sujeita a recidivas apesar de todos os cuidados prévios. É provável que ela seja o resultado da interação de uma série de fatores: além da susceptibilidade genética (história familiar), fatores ambientais, psicológicos, sociais, farmacológicos, defeitos na barreira cutânea cada vez mais evidentes, infecções de pele, além dos fatores imunológicos.

Apesar de todo o conhecimento atual, muito há ainda que se conhecer, pois sua prevalência tem aumentado de forma considerável nos últimos trinta anos. Diversos estudos tem sido realizados para que esta doença tão complexa seja bem entendida.

Enquanto isso, envolvidos nestes questionamentos e complexidades, estão os pacientes e seus familiares, ávidos por soluções e repletos de expectativas, pois o impacto que a dermatite atópica promove na vida destas pessoas é considerável. A qualidade de vida como um todo, fica bastante comprometida, seja a nível financeiro, social e pessoal.

Cada vez mais tem havido interesse nos aspectos psicossociais que envolvem esta doença e o nosso objetivo, além de controlar os sintomas clínicos, deve ser de ajudar o paciente como um todo, através da orientação, da educação e do tratamento multidisciplinar.

A própria Organização Mundial de Saúde, define saúde como sendo “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença.”

Dermatite Atópica
Importância dos Grupos de Apoio

Em 1990 foi criada em São Paulo, no Hospital das Clínicas, a Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA) cujo objetivo é apoiar o paciente portador de dermatite atópica e seus familiares na busca pela saúde. O trabalho da Associação é multidisciplinar, envolvendo médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e pedagogos, que juntos buscam a melhor abordagem a ser feita.

No Rio de Janeiro, o Setor de Alergia e Imunologia Dermatológica da Santa Casa da Misericórdia realiza reuniões mensais de apoio aos portadores de dermatite atópica e seus familiares, com a participação de médicos e de uma psicóloga.

Os objetivos destas reuniões são:

  • ajudar a compreender o que é a dermatite atópica;
  • promover a interação de diferentes pessoas com diferentes graus de comprometimento cutâneo;
  • favorecer a relação entre elas e o grupo, seus familiares e a sociedade;
  • facilitar a compreensão da importância dos aspectos psicológicos;
  • melhorar a qualidade de vida do paciente e de sua família como um todo.

É gratificante acompanhar a mudança de comportamento do paciente em relação a sua auto-estima, a sua posição como um ser humano igual, capaz, incluído na sociedade e a relação do paciente com a família.

Por outro lado, para nós profissionais de saúde é imensurável a oportunidade que temos de aprender tanto com cada experiência de vida que estes pacientes dividem conosco.

AADA –RJ: Instituto Prof. Rubem David Azulay - Santa Casa da Misericórdia
Rua Santa Luzia, 206 – Anfiteatro do Pavilhão São Miguel
Reuniões mensais – última quinta-feira de 12:30h às 14:00h

Não há taxa para participar e não há necessidade de ser paciente do Serviço.


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