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ASMA: Esclarecendo mitos

por Dra Patrícia Miranda


A asma é uma doença que pode ser definida como inflamação, estreitamento e uma resposta exagerada das vias aéreas a uma variedade de estímulos. Estima-se que cerca de 20 % da população brasileira seja portadora de asma, por isto ela representa um importante problema de saúde pública.

A prevalência da asma aumentou nas últimas décadas, assim como o número de hospitalizações e de mortes, sendo necessário que seja implantado um programa efetivo de tratamento nos hospitais públicos de todo país com disponibilização dos medicamentos preventivos.

O diagnóstico se baseia na história clínica do paciente. O alergista analisará a história familiar e pessoal de alergia; o início, a intensidade e a frequência das crises; se já houve internação nos serviços de emergência ou CTI. Além disso, pesquisará os fatores causadores de crises, tipo de tratamento já feito, se usa remédios de prevenção ou apenas aliviadores e como é a sua casa.

É importante que o asmático (ou o seu cuidador) aprenda a reconhecer suas crises, quando estão iniciando e assim busque o tratamento, evitando a piora. O paciente pode saber que está diante de uma crise de asma quando apresenta os seguintes sintomas:
- falta de ar,
- chiado,
- tosse,
- sensação de aperto no peito.
- algumas pessoas iniciam apenas com tosse, ao correr, rir, brincar ou à noite.

Além disso, deve aprender a reconhecer os sinais de gravidade e procurar imediatamente um serviço de emergência são. A presença dos seguintes sintomas:

- respiração rápida e difícil,
- coloração arroxeada dos lábios e unhas,
- alteração do nível de consciência (sonolência ou agitação)
- dificuldade para falar, deitar ou se alimentar
(o paciente não consegue) completar frases.

Após suspeitar de asma, o médico poderá realizar exames, como por exemplo o teste cutâneo e a dosagem no sangue dos anticorpos de alergia.

O teste cutâneo é feito na pele do paciente pelo próprio alergista e tem como finalidade descobrir o que causa alergia e pode ser realizado em qualquer idade.

A dosagem do anticorpo de alergia do sangue (IgE específica) tem a mesma finalidade e está indicado nos casos onde o teste não pode ser realizado.

Segue-se então ao diagnóstico funcional da asma, que pode ser feito através da realização do "peak-flow" (aparelho portátil ) e da prova de função pulmonar. Estes exames são usados como auxílio no diagnóstico, mas depois são repetidos para acompanhamento da doença.

MITOS

Várias concepções erradas cercam a asma, tais como:

Todo paciente deve fazer radiografia de tórax na crise de asma;
"Bombinhas" fazem mal ao coração;
Remédios por via oral são mais eficazes e tem menos efeitos colaterais
que os remédios inalados;
Antibióticos devem ser tomados nas crises,
Asmáticos só devem fazer natação como esporte,
Crianças com asma não podem pegar sereno, beber gelado, andar descalças
Asmáticos devem ser sempre bem agasalhadas,

VERDADES

Cada crise é diferente e nem sempre serão necessários exames.
Remédios inalados (ou “bombinhas”) fazem efeito rápido e têm menos
efeitos colaterais.
Agasalhos exagerados devem ser trocados por roupas leves e adequadas
Asmáticos devem ser incentivados à vida ao ar livre e seus hábitos e podem fazer qualquer esporte, desde que tenham sua asma sob controle e estejam liberados pelo médico

Acima de tudo, devemos sempre levar em consideração a importância de uma qualidade de vida satisfatória, em qualquer idade, seja criança, adolescente, adulto ou idoso.

Os medicamentos usados no tratamento da asma podem ser de 2 tipos:
- Medicamentos de alívio
- Medicamentos de prevenção

Os dois pilares para o tratamento de uma crise de asma são os broncodilatadores de curta duração e os corticosteróides.

Broncodilatadores são medicações aliviadoras, usadas para tratar a crise e o estreitamento das vias aéreas. Devem ser usados preferencialmente pela via inalatória. Vários dispositivos estão disponíveis para sua administração, tais como nebulizadores, "bombinhas" e inaladores. Atualmente deve ser enfatizado que a eficácia do uso da medicação através das "bombinhas" é melhor do que com o uso dos nebulizadores. Com a finalidade de melhorar a eficácia da nebulização é necessário que a criança esteja acordada e sem chupeta. As "bombinhas" podem ser administradas através de máscara com espaçador (crianças abaixo de 5 anos) ou espaçador com bocal. Os principais efeitos colaterais dos broncodilatadores são tremores e aumento da frequência cardíaca, mas é necessário enfatizar que não fazem mal ao coração.

O outro pilar importante no tratamento da crise é o uso da cortisona (ou corticóide ou corticosteróide, pois estes remédios atuam de forma direta e eficaz na inflamação que a asma provoca nas vias respiratórias.

A cortisona tem função aliviadora para tratar crises, sob forma de xaropes, comprimidos ou injetáveis. São remédios seguros e necessários para evitar internações e sofrimento, mas nunca devem ser usados por conta própria. O uso inadequado pode levar a importantes efeitos colaterais, tais como osteoporose, glaucoma, catarata, diabetes, hipertensão arterial e baixa estatura. Contudo, o uso na crise, sempre orientado pelo médico é seguro, não causa os mesmos efeitos colaterais e é fundamental para combater a inflamação causada pela asma.

A cortisona também pode ser usada no tratamento de controle da asma, sob forma inalada, em “bombinhas” ou em inaladores. Neste caso, apesar do mesmo nome, são bem diferentes: podem (e devem) ser usadas por tempo prolongado pois atuam diretamente nos brônquios, mantendo-os desinflamados e controlando a doença.

Corticosteróides inalados são os principais medicamentos no tratamento a longo prazo, por sua eficácia e poucos efeitos colaterais, que podem ser minimizados com o uso de espaçadores e a lavagem da boca após o uso.

Outras medicações podem ser usadas na prevenção:
- Broncodilatadores de longa duração,
- Inibidores de leucotrienos
- Teofilina.

Broncodilatadores de longa duração são usados também por via inalatória e nunca devem ser administrados sem os corticosteróides inalados. Os inibidores de leucotrienos são administrados pela via oral e são usados isoladamente ou em conjunto com os corticosteróides inalados e broncodilatadores de longa duração. A teofilina também é administrada por via oral e pode ser usada em associação com os corticosteróides inalados e broncodilatadore

IMUNOTERAPIA (vacina para alergia)
A imunoterapia (vacina) consiste na administração de alérgenos em doses e concentrações crescentes. Pode ser administrada por via subcutânea ou sublingual. Deve ser evitada em pacientes com asma grave de difícil controle, nos portadores de doenças auto-imunes e nos pacientes que usam bloqueadores beta-adrenérgicos.

ASMA: UMA QUESTÀO DE ATITUDE

Várias atitudes são importantes para prevenir a instalação das crises de asma. A primeira delas, sem sombra de dúvidas, é a educação do paciente e dos seus cuidadores. Mas, também é muito importante:
- Controle de ambiente adequado: medidas como cobrir de capas impermeáveis colchões e travesseiros, evitar a exposição ativa ou passiva à fumaça de cigarro, evitar a exposição a cães e gatos, passar pano molhado na casa e não varrer, evitar o uso de perfumes e talcos, evitar o contato com bichinhos de pelúcia, produtos de limpeza e mofo.
- Tratar a rinite alérgica é muito importante, pois 80 % dos asmáticos têm rinite e ela funciona como fator de risco para a asma.
- O aleitamento materno exclusivo e a obediência ao calendário de vacinação preconizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, inclusive com a administração rotineira da vacina para Influenza (gripe) são de grande ajuda aos asmáticos

Resumindo, a Asma é um importante problema de saúde pública. Um programa efetivo de controle da doença, tal como o desenvolvido pela prefeitura do Rio de Janeiro, com a criação dos "pólos de asma" é muito importante, pois além de diminuir os custos diretos (procura aos serviços de emergência e internações) e indiretos (faltas à escola ou trabalho), melhora a qualidade de vida.
Todo asmático tem direito ao tratamento correto e ao acompanhamento regular pelo especialista. Ou seja, tem o direito de aprender a prevenir e a controlar a doença e não só ao atendimento médico apenas nas crises.