ALERGIA A PENICILINA

Artigo por Dr. Luiz Carlos Arcanjo


A penicilina é um antibiótico muito utilizado na prática médica, pois é uma medicação eficaz, segura e de baixo custo. Mas infelizmente, muitas pessoas têm medo de usar este antibiótico em virtude de sua fama de provocar alergia. Contudo, estas reações são minoria: as alergias ocorrem apenas em cerca de 2% de pessoas tratadas com penicilina.

A maior parte dos casos de alergia a penicilina é leve e se manifesta na pele, com surgimento de erupção (“rash”) ou urticária. Casos mais graves podem ocorrer: a penicilina é a principal causa de anafilaxia induzida por medicamentos e também de reações alérgicas induzidas por drogas. Felizmente, menos de 10% destes casos são fatais.

Existem fatores que poderiam predispor à este tipo de alergia?

Sim, alguns fatores seriam de risco, ou seja, poderiam facilitar o aparecimento da alergia:
- Pessoas que usam repetidamente a penicilina, por qualquer via de administração;
- Portadores de doenças alérgicas como rinite alérgica e asma;
- Idade: alergias são mais comuns entre 20 e 49 anos, embora, também possam ocorrer em crianças e idosos.

É possível testar se uma pessoa é alérgica à penicilina?

Sim. O teste cutâneo pode determinar se um paciente com suspeita de alergia a penicilina pode ter risco de reação séria se vier a tomar o remédio novamente. Mas, na verdade, antes de realizar o teste, médico o alergista analisará os dados clínicos da pessoa. E isso é muito importante, pois existem várias situações envolvidas. Por exemplo:
- A história de alergia a penicilina nem sempre é clara. Existem casos onde efeitos colaterais, como náuseas, vômitos ou mesmo um desmaio por medo de uma injeção de Benzetacil podem ser confundidos com uma reação alérgica verdadeira. Estas pessoas podem ser inapropriadamente rotuladas como alérgicas a penicilina pelo resto de suas vidas.
- Um paciente que teve uma alergia verdadeira quando criança pode não ter a reação quando adulto, uma vez que o anticorpo específico contra a penicilina pode diminuir com o tempo.
Concluindo, testes são valiosos para definir uma alergia verdadeira, mas serão um complemento à conduta do médico alergista.

Existe risco na realização do teste?

Sim. Por isso, o teste só deve ser realizado por alergista/imunologista experiente e em ambiente hospitalar, ou seja, com recursos para tratar qualquer reação que o paciente venha a apresentar. Reações graves são raras, mas há relatos de casos de anafilaxia e morte durante a realização do teste.
A maioria das reações ocorreu por violações aos protocolos de realização do teste, como utilizar doses mais elevadas do que o recomendado. Os testes realizados em farmácias não têm valor.
Para finalizar, é importante lembrar que o teste cutâneo não é recomendado nos casos graves como, por exemplo, em pacientes com história de dermatite exfoliativa pós- penicilina ou por outro antibiótico similar.

O que fazer quando se confirma a alergia à penicilina?

O médico especialista em Alergia poderá indicar outros antibióticos, como uma alternativa segura para substituir a penicilina. Nos casos onde a medicação seja imprescindível, é possível fazer uma dessensibilização, permitindo que a maioria dos pacientes alérgicos possam utilizar a penicilina com segurança.
A realização do teste com técnica correta é importante, pois sabe-se que 80% dos pacientes que não tem anticorpos específicos para penicilina podem usá-la de forma segura.