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ALERGIA A MEDICAMENTOS

Artigo por Dra. Norma Rubini, membro da ASBAI-RJ
Profa. Adjunta de Alergia e Imunologia
Universidade do Rio de Janeiro – Uni-Rio


As reações adversas a medicamentos são eventos comuns na prática médica, acometendo cerca de 20% a 25% dos pacientes hospitalizados e não-hospitalizados. Contudo, as reações alérgicas constituem um subconjunto das reações adversas e são menos freqüentes.

Definimos como reação adversa a um medicamento qualquer efeito indesejável relacionado ao uso de um medicamento diferente do seu efeito farmacológico almejado. As reações alérgicas ocorrem como resultado do reconhecimento e resposta do sistema imune a um determinado medicamento. Podemos citar como exemplos de reações adversas não-alérgicas as reações tóxicas (uso de dose excessiva), efeitos colaterais (gastrite devido ao uso de anti-inflamatórios), interação medicamentosa (sonolência pelo uso simultâneo de anti-alérgico e tranqüilizante), reações pseudo-alérgicas (reações anafilactóides pelo uso de meios de contraste iodados), reações idiossincrásicas (urticária relacionada a anti-inflamatórios), etc..

As reações alérgicas ocorrem em pessoas com predisposição genética, sendo mais freqüentes em pessoas atópicas, isto é, pessoas portadoras de asma, rinite alérgica ou dermatite atópica. Desordens do sistema imunológico (ex.: infecção pelo HIV), distúrbios circulatórios (ex.: insuficiência cardíaca) e desordens metabólicas (ex.: insuficiência hepática) também são condições favorecedoras de reações alérgicas a medicamentos.

Os principais medicamentos envolvidos nas reações alérgicas são: antibióticos, sulfas, analgésicos, anti-inflamatórios, anti-convulsivantes, anti-hipertensivos, anestésicos, hormônios e soros.

As manifestações clínicas das reações alérgicas a medicamentos podem ser sistêmicas, destacando-se a anafilaxia (ex.: choque anafilático) e doença do soro, ou localizadas em determinados órgãos e/ou sistemas, tais como pele, sangue, fígado, rins, baço, coração e sistema nervoso central.

A anafilaxia pode acometer a pele (urticária e angioedema), sistema respiratório (edema de glote e broncoespasmo) e o sistema circulatório (choque anafilático) e é a mais temida das reações alérgicas pelo seu alto risco de mortalidade. Os principais agentes farmacológicos causadores de reações anafiláticas são os antibióticos e anestésicos gerais. Os meios de contraste iodados e os anti-inflamatórios também podem ocasionar reações clinicamente indistinguíveis das reações anafiláticas, mas como não existe um mecanismo imunológico subjacente, estas reações são denominadas anafilactóides.

As manifestações na pele constituem a expressão clínica mais comum de alergia a medicamentos. Dentre estas destacamos: urticária, angioedema (edema de lábios, pálpebras e/ou face), vasculites e eczema de contato. Os principais medicamentos desencadeadores de urticária, angiodema e vasculites são os anti-inflamatórios, antibióticos, sulfas e anti-convulsivantes. O eczema de contato pode ser desencadeado pelo uso tópico (na pele) de vários medicamentos, incluindo colírios, pomadas, cremes e loções contendo principalmente antibióticos, anestésicos, timerosal (mertiolato) e anti-histamínicos.

As reações alérgicas em sua primeira ocorrência são imprevisíveis. Entretanto, uma vez que uma pessoa tenha apresentado uma reação alérgica medicamentosa, é importante que ela receba a assistência adequada de um especialista para a confirmação do diagnóstico, tratamento e orientação com relação à prevenção de novas reações alérgicas a medicamentos.

O diagnóstico das reações alérgicas medicamentosas pode ser realizado através do histórico clínico, exame físico, testes cutâneos, testes de provocação e exames laboratoriais, dependendo do tipo de reação e do medicamento em questão. Uma vez confirmado o diagnóstico de alergia a um determinado medicamento, o paciente deve evitar o uso deste medicamento, de fármacos da mesma classe e de fármacos de classes similares com potencial de reação cruzada. Pacientes que apresentaram uma reação anafilática devem receber instruções e prescrição médica sobre como proceder caso, inadvertidamente, venham a fazer uso do medicamento ao qual são alérgicos.

Eventualmente, após a ocorrência de uma reação alérgica a um medicamento, a pessoa acometida necessita fazer uso imperioso deste medicamento. Neste caso, um especialista deverá analisar o caso e, avaliando riscos e benefícios, poderá indicar a realização da dessensibilização ao medicamento. Este procedimento só está cientificamente comprovado para as seguintes classes de medicamentos: antibióticos, sulfas, anti-inflamatórios, hormônios, soros e vacinas. Em algumas situações, que não podem ser solucionadas pela dessensibilização, é possível fazer uso de uma pré-medicação antes e durante a exposição ao fármaco; como, por exemplo, no caso da necessidade da realização de exames utilizando meios de contraste iodados.

Finalizando, gostaríamos de ressaltar que a melhor orientação que podemos propiciar aos leigos para a prevenção da alergia medicamentosa é que o uso de qualquer medicamento deve ser sempre por prescrição médica. A automedicação e o uso abusivo de medicamentos são fatores favorecedores de reações alérgicas a medicamentos.