ALERGIA AO LÁTEX

Artigo por Dr. Ney Bartolomeu Corrêa
Membro da ASBAI RJ


Artefatos de borracha já eram utilizados no México por volta de 1600 AC. A tripulação de Cristóvão Colombo já tinha observado nativos do atual Haiti brincarem com bolas que “ao tocarem o solo subiam a grande altura”, formadas por uma goma chamada cauchu. Na Europa, o material dessas bolas foi chamado de borracha. Em língua Indígena, cauchu significa “árvore que chora”. Borracha (do esp. ou port. arcaicos): recipiente para bebida.

Mas, só em 1770 foi produzida a primeira borracha, da forma que utilizamos até hoje, sendo usada para apagar traços de lápis esfregando-a sobre o papel. Cubos desta borracha começaram a ser vendidos em Londres em 1772 e foram chamados de "rubber“. Em 1836, Charles Goodyear desenvolveu a borracha vulcanizada, dando origem aos primeiros produtos sintéticos. O nome do processo foi uma homenagem a Vulcano, Deus romano do fogo.

Desde então, foram descobertos inúmeros processos para transformação química da borracha, adicionando substâncias derivadas do petróleo, carvão, certos álcoois vegetais, etc bem como cresceu o número de produtos utilizados na vulcanização da borracha. Surgiram também substâncias denominadas aceleradoras, ou seja, que reduziam o tempo necessário para que o vulcanizado adquira suas melhores características. E outros produtos foram sendo gradativamente agregados ao fabrico de borracha, seja para retardar sua oxidação e prolongar sua duração, bem como pigmentos adicionados mistura para se obter a coloração desejada do produto final. Por isso, quando se fala de alergia ao látex, é preciso pesquisar também a alergia aos produtos utilizados durante o processo de manufatura da borracha.

A prevalência estimada de alergia ao látex na população em geral é inferior a 1%, enquanto que entre os profissionais da saúde é cerca de 2-12% na Europa, e atinge aproximadamente 17 % nos EUA. Entre os pacientes portadores de spina bífida a sensibilização pode atingir valores de 50%.
A alergia pelo látex não ocorre na primeira vez, mas sim pelo contato repetitivo. Estima-se que seja necessário uma exposição de 6 meses a 15 anos para desenvolver sensibilização, que pode ser por via cutânea, mucosa, parenteral ou inalatória.

Manifestações clínicas

A alergia ao látex pode se manifestar de diferentes formas:

Na pele – urticária, angioedema, dermatite de contato ou reação irritativa da pele
No aparelho respiratório: asma, rinite, alergia ocular
Anafilaxia

O maior problema da alergia ao látex está no fato de que no mundo moderno, são inúmeros os produtos que utilizam a borracha ou seus derivados em seu fabrico, variando desde bolas de encher, chupetas, elásticos, sapatos, preservativos (camisinhas), material escolar e outros. E, quando se fala dos hospitais, esta lista cresce significativamente, incluindo luvas, estetoscópios, manguito do aparelho de pressão, máscaras de inalação, cânulas, elásticos, ambu, cateteres, equipamentos para injeções: êmbolos de seringas, válvulas de tubos, tampas de medicamentos e sistemas de agulhas.

Por isso, a prevalência de alergia ao látex é maior em médicos, enfermeiros e profissionais de saúde que estão em constante contato com a substância. Casos de urticária são descritos em médicos e enfermeiros de centros cirúrgicos, centros de diálise, técnicos de laboratórios ou em pacientes que são submetidos repetidamente a procedimentos.

É importante lembrar também que na fabricação das luvas de látex é comum o uso de um pó para facilitar sua colocação, sua retirada e para que estas não grudem entre si. Contudo, o pó facilita que as proteínas do látex se espalhem no ambiente, podendo ser inaladas e desencadear alergia.

Medidas preventivas

Utilizar materiais médicos de uso hospitalar sem látex
Substituir as luvas fabricadas pelo processo de pulverização (com uso de pó), pelas luvas “powder Free” (sem pó).
Utilizar luvas com baixo teor de proteína, abaixo de 100 µg/grama de material de luva
Alternativas: luvas de vinil, neoprene ou de nitrilo.

Síndrome látex – fruta

Como os alérgenos do látex são proteínas vegetais, é possível ocorrer reações cruzadas com proteínas alimentares. Assim, a pessoa que é portadora de alergia ao látex, poderá ter também alergia desencadeada pela ingestão de algumas frutas, como por exemplo: banana, Kiwi, manga, entre outras.

Diagnóstico

A base para o diagnóstico da alergia ao látex é a análise médica da história clínica do paciente. Testes nem sempre serão necessários e deverão ser solicitados de acordo com as necessidades de cada caso.

Tratamento

O tratamento ideal é aquele onde é suspenso o contato com a substância. O médico alergista orientará as alternativas que sejam viáveis para cada paciente.