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ALERGIA - UMA PATOLOGIA PARA TODAS AS IDADES

Artigo por Dr João Bosco de Magalhães Rios
Membro da ASBAI RJ


Na década de 60, a grande maioria dos pacientes com sintomas de alergia respiratória era constituida por crianças.

A “asma infantil” era um achado clínico muito frequente e como o arsenal terapêutico era limitado,os especialistas recomendavam o banho frio e a natação, além do controle da poeira de casa como medidas exponenciais para os pequenos portadores de asma ou bronquite. Acrescentavam à estas medidas as fórmulas medicinais com efedrina, além das vacinas com extratos da poeira de casa. Começava a surgir a terapêutica com a cortisona, reservada apenas para o tratamento das crises asmáticas.

O resultado desta terapêutica era bastante satisfatório e novos medicamentos ampliaram as medidas terapêuticas da asma.

Na década seguinte, graças à “descoberta” dos ácaros como o elemento sensibilizante da poeira domiciliar, novas medidas “antiácaros” foram implementadas. Ao mesmo tempo, as vacinas (imunoterapia) com antígenos mais específicos de ácaros ampliaram o arsenal terapêutico, com reflexos positivos no tratamento das alergias respiratórias.

O surgimento dos sprays de cortisona dosificados em microgramas e usados nas narinas e brônquios transformou a asma e a rinite em doenças “domesticadas”, muito embora ainda persistisse um percentual de crianças com quadros mais severos.

Outras manifestações alérgicas, na pele e no aparelho gastrointestinal, corriam em paralelo com os casos de asma e rinite, com significativa dificuldade no seu equacionamento. Uma nova revolução terapêutica surgiu com os cremes e pomadas de cortisona para tratamento da dermatite atópica (eczema infantil). A alergia ao leite de vaca foi melhor equacionada, cresceu o estímulo ao aleitamento materno, surgindo fórmulas lácteas adaptadas e fórmulas com soja, melhorando o prognóstico das alergias gastrintestinais.

A literatura médica da época era dividida em publicações sobre alergia na criança, no adulto e idoso até os 60 anos.

Aos poucos, as perspectivas de vida se expandiram e com isso os processos alérgicos galgaram novas posições etárias. Hoje, pessoas com 70, 80 e até 90 anos passaram a constituir um importante contingente de pacientes com alergia.

Atualmente a alergia no idoso é um importante campo de atuação e estudo para médicos alergistas, às voltas com estas pessoas, que além da alergia trazem uma bagagem respeitável de outras doenças – cardiovasculares, gastrointestinais, respiratórias, endócrinas, entre outras, complicando a manifestação clínica.

É interessante que paralelamente ao aumento de pacientes idosos, vem ocorrendo uma notável diminuição de crianças. Jocosamente é verdadeiro afirmar que “atualmente nascem mais velhos do que crianças”.

O progresso dos produtos farmacêuticos e o aumento de recursos na medicina são bem vindos, mas “bombardeiam”o paciente, em qualquer faixa etária e se refletem no aumento das reações adversas a medicamentos, constituindo um novo ramo de atuação do alergista.
As reações medicamentosas podem acometer qualquer órgão ou sistema do organismo, mas na alergia predominam as manifestações cutâneas, desde urticárias até farmacodermias graves e potencialmente fatais.

O mais significativo, entretanto, é que a ajuda de exames laboratoriais ainda é insuficiente para a apuração diagnóstica, restando ao alergista experiente o papel de investigador na busca do medicamento suspeito.

Em síntese, asma, rinite, tosse alérgica, acontecem em qualquer faixa etária, com características peculiares em cada idade, com exceção da dermatite atópica, predominante em lactentes e crianças. Reações a medicamentos surgindo com maior frequencia após a adolescência até a senectude, com incidência notável de prurido cutâneo (coceira) nos idosos, em consequência da pele seca e distrófica, em especial como reação adversa a algum medicamento.

O médico especialista em alergia acompanha seus pacientes em qualquer idade, da criança ao idoso e atua como um “clínico geral” face à multiplicidade dos processos alérgicos.