PLANO DE AÇÃO – O QUE FAZER NA “CRISE DE ALERGIA”

Artigo por Dr. Eduardo Costa F. Silva


Há anos todos os documentos médicos nacionais e internacionais que definem normas para uniformizar a conduta de tratamento da asma (Consensos ou Diretrizes) recomendam que os pacientes com asma brônquica saibam como proceder em casos de crises, através de um plano de ação. Essa conduta permite que o próprio paciente, ou seu responsável, no caso das crianças, saiba identificar o início da crise e iniciar o tratamento de forma adequada, antes mesmo de contatar seu médico ou recorrer ao pronto-socorro.

Sendo assim, nas crises de asma, que podem se manifestar com tosse seca persistente e/ou falta de ar e/ou chiado no peito (qualquer um desses sintomas, isolados ou associados pode ser uma crise), deve-se iniciar a medicação de alívio, cuja primeira escolha é sempre o broncodilatador por via inalatória (spray ou nebulização), acompanhado ou não de outros medicamentos, dependendo da gravidade dos sintomas.

Outra condição em que o paciente deve estar sempre preparado para agir com rapidez é a anafilaxia – a reação alérgica aguda, generalizada e grave, que pode ser até fatal, se não tratada de forma rápida e adequada. As pessoas que já tiveram essa reação anafilática (caracterizada pela associação de urticária generalizada, inchação de pálpebras, lábios ou toda a face, falta de ar com chiado semelhante à crise de asma, e até inchação/edema de laringe – também chamado "edema de glote"), secundária a picada de inseto, ingestão de algum alimento ou medicamento, ou durante exercício físico, ou mesmo sem causa identificada, devem carregar consigo uma dose de adrenalina para auto-aplicação.

Da mesma forma, outras doenças alérgicas menos graves, como a rinite/rinoconjuntivite alérgica e a urticária recorrente, que podem apresentar-se em crises, também devem ser tratadas inicialmente ainda em casa, com um medicamento antialérgico de uso oral (em comprimido ou xarope), de acordo com a prescrição médica.

Converse com seu médico e tenha sempre um "plano de ação" para iniciar o tratamento das crises de alergia, mas não deixe de fazer o tratamento de controle e evitar os agentes desencadeantes de crises para prevení-las ou no mínimo, reduzir a sua frequência e intensidade.