VACINAS PARA ALERGIA. ELAS PODEM AJUDAR NO SEU TRATAMENTO?

Artigo por Dra. Tânia Maria Tavares

Imunoterapia, também conhecida como vacina para alergia, é uma forma de tratamento que visa diminuir a sensibilidade aos alérgenos. Alérgenos como poeira, mofo, pólen e pelos de animais, são substâncias que desencadeiam os sintomas de alergia quando uma pessoa alérgica é exposta a eles. Se você sofre de asma, rinite, conjuntivite e alergia a picada de insetos, você pode se beneficiar com a imunoterapia.

Como seu médico vai saber se você é alérgico e precisa de imunoterapia?

O seu médico vai querer fazer um teste alérgico para ajudar a determinar exatamente o que está causando a sua alergia. Um teste de alergia consiste em colocar pequenas quantidades de alérgenos em sua pele e ver qual deles vai reagir. Ou ainda, seu médico pode decidir fazer um exame de sangue, como o teste de RAST ou teste Immunocap.
A imunoterapia será indicada aos pacientes de acordo com frequência e a intensidade dos seus sintomas (gravidade), incapacidade de corrigir a qualidade do ambiente, quando houver prejuízo de sua qualidade de vida e nos casos de uso frequente de medicamentos para alívio dos sintomas. 

Todas as pessoas alérgicas vão tomar vacina para alergia?

Não. As vacinas para alergia podem não fazer bem se você tem uma doença grave ou se sua alergia não está bem controlada. Você não deve começar vacina durante a gravidez, porém se já vem usando vacinas por algum tempo e engravidar deve comunicar a seu médico, e provavelmente poderá continuar tomando. Seu uso também deve ser avaliado em pacientes com quadros alérgicos leves , sem comprometimento de sua qualidade de vida, quando um simples controle do ambiente será suficiente para manter seus sintomas controlados.

Como funciona a imunoterapia?

A alergia é uma resposta exagerada do organismo aos alérgenos. A imunoterapia funciona fazendo com que o seu corpo responda a quantidades administradas de alérgeno (s) específico (s), por via subcutânea ou oral, dado (s) em doses crescentes, através do desenvolvimento de imunidade ou tolerância. Como resultado, os sintomas da alergia diminuem quando você for exposto a este alérgeno no futuro.

Duas fases são envolvidas na imunoterapia:

1) Fase de indução: Trata-se de receber injeções com quantidades crescentes de alérgenos de uma a duas vezes por semana, a duração desta fase geralmente varia de três a seis meses.

2) Fase de manutenção: Esta fase começa quando a dose terapêutica eficaz for alcançada, ou seja, a maior concentração de alérgeno (s) tolerada dependendo do seu nível de sensibilidade. Durante a fase de manutenção, o intervalo entre as doses pode variar de duas a quatro semanas. Seu alergista é que deve decidir qual o melhor intervalo para você.

Você pode observar uma diminuição dos sintomas ainda na fase de indução, mas pode levar 12 meses na dose de manutenção para notar uma melhora. Se você não viu melhora após um ano de terapia de manutenção, avalie junto com seu alergista as possíveis causas da falha no seu tratamento.

A ausência de resposta à imunoterapia pode ser devido a vários fatores, tais como:

- Dose insuficiente do alérgeno na vacina.
- Alérgenos não identificados durante a avaliação da sensibilidade alérgica.
- Altos níveis de alérgenos no ambiente (ou seja, controle ambiental inadequado).
- Exposição significativa a substâncias irritantes (por exemplo, a fumaça de cigarro).
- Irregularidade na aplicação das doses, principalmente causada pela dificuldade de aderência, devido ao longo período de tratamento.

Se a imunoterapia é bem sucedida, o tratamento de manutenção é continuado por um período de três a cinco anos, normalmente levando a uma remissão duradoura dos seus sintomas de alergia.

A imunoterapia apresenta riscos?

As reações adversas a imunoterapia são raras. Existem dois tipos de reações que podem ocorrer:

- Reações locais: são bastante comuns e incluem vermelhidão e inchaço no local da injeção. Isso pode acontecer imediatamente ou várias horas após a aplicação. Não é necessário interromper o tratamento.
- Reações sistêmicas: são muito menos comuns do que as reações locais. Os sintomas podem variar desde espirros, congestão nasal, urticária até reações mais graves, como a anafilaxia, que se manifesta como inchaço na garganta, chiado ou aperto no peito, náuseas e tontura. Estas reações ocorrem normalmente dentro de 30 minutos após a aplicação da dose da vacina e necessitam de tratamento imediato. O tratamento com imunoterapia deverá ser interrompido até uma nova avaliação.

A imunoterapia, associada ao controle do ambiente, é a melhor forma de se obter o controle dos sintomas alérgicos além de prevenir a progressão da doença para quadros mais graves.