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ALERGIA NOS OLHOS

Artigo por Dr. João Bosco de Magalhaes Rios

Os olhos estão em contato direto com o meio ambiente, sendo alvos frequentes de reações alérgicas, principalmente a conjuntivite alérgica. Processos alérgicos podem comprometer as pálpebras, cílios, conjuntiva, córnea e úvea.

A alergia nas pálpebras

O quadro alérgico mais sugestivo é a dermatite de contato a cosméticos, em especial ao esmalte de unhas e colírios. O aspecto clínico é de descamação e eczema na região das pálpebras.

Outra situação frequente é o edema (inchação) das pálpebras, sendo mais comum nos processos de urticária ou angioedema.
Nas bordas palpebrais, na região dos cílios, aparecem as blefarites, que são processos inflamatórios (a maioria por reação a infecções bacterianas) e se acompanham de vermelhidão, inchação, às vezes com pus dor e ardência. Pode haver também comprometimento dos cílios com inflamação na base e queda ciliar.

Quando a blefarite ocorre repetidamente é importante avaliar as defesas imunológicas do organismo que podem estar comprometidas. A blefarite seborréica se acompanha de uma escama (caspa) fina e aderente.

A Alergia na Conjuntiva

A conjuntivite alérgica em geral acompanha a rinite alérgica. Manifesta-se por vermelhidão nos olhos, lacrimejamento, fotofobia (luz solar incomodando) e coceira. A presença da rinite alérgica indica a origem do processo e a confirmação diagnóstica é feita pelos testes cutâneos.

A conjuntivite deve-se na maioria das vezes à alergia aos ácaros da poeira domiciliar. O processo agrava-se por fumaça, ar refrigerado, poluição e vapores químicos.

A conjuntivite alérgica deve ser diferenciada das conjuntivites infecciosas por vírus ou bactérias. Nestas, é comum o acometimento de apenas um dos olhos, o olho está intensamente injetado, com dor e sensação de areia. Na alérgica, a vermelhidão é mais leve e menos demorada e a coceira é o sintoma mais destacado.

A conjuntivite alérgica pode ser parte do quadro de rinite por alergia aos ácaros da poeira domiciliar.

A Alergia na Córnea e Úvea

A córnea pode apresentar quadros chamados de ceratite, quase sempre acompanhados de conjuntivite, constituindo a ceratoconjuntivite. Por exemplo: uma forma de ceratite é a ceratoconjuntivite de contato, em geral por medicamentos colocados nos olhos. Aí se destacam os colírios que têm como conservante o timerosal.

Também pode ocorrer a ceratoconjuntivite por hipersensibilidade ao bacilo da tuberculose. Aparece uma pequena bolinha (flictenula) na borda da íris (parte branca dos olhos) com vasos sanguíneos irradiando dela; há dor e mal-estar local, sem coceira.

Os quadros de uveíte caracterizam-se por comprometimento inflamatório na camada vascular dos olhos e, embora mecanismos imunológicos comandem o processo de inflamação, o diagnóstico e o tratamento são exclusivos do oftalmologista. As causas mais comuns de uveítes são por hipersensibilidade ao toxoplasma (uma bactéria) e ao bacilo da tuberculose. Nestes casos uma imunoterapia hiposensibilizante pode estar indicada.

Como Controlar as Conjuntivites Alérgicas

A conjuntivite alérgica precisa ser reconhecida e medicada, para minimizar a sintomatologia e impedir agressões medicamentosas em um órgão tão delicado. É preciso cautela no uso de colírios. O abuso, na maioria das vezes por automedicação e sem qualquer critério, pode complicar um quadro simples.

Tratamento:

A história de cada paciente, as características, os sintomas, aliados aos dados do exame físico são a base para o diagnóstico e para diferenciar de outras doenças que podem se confundir com as alergias oculares. A conjuntivite alérgica quase sempre acompanha a rinite alérgica e por isso seu tratamento repousa em:

1) Controle de ambiente, ou seja, combate aos ácaros da poeira, em especial no dormitório do alérgico.
2) Medicação de uso preventivo e para os sintomas

A maioria dos colírios é comprada sem receita médica. Mas, todo cuidado é pouco: colírios contendo vasoconstritores ajudam a reduzir a hiperemia (olho vermelho), mas devem ser usados por pouco tempo, pois os vasos da conjuntiva funcionam como os das narinas: após uma ação benéfica vasoconstritora, com redução da vermelhidão, aparece uma reação rebote, vasodilatadora, tão mais notável quanto maior o prazo de uso.

Os colírios de cortisona dão sensação de alívio, mas tem risco potencial de efeitos colaterais: facilitação de infecções, catarata e principalmente glaucoma (aumento da pressão intra-ocular). Portanto, só devem ser usados por ordem médica e por um período de tempo curto.

A compressa com água (ou soro fisiológico) gelada é uma medida caseira, simples, barata e eficaz é para o alívio sintomático da conjuntivite alérgica.

3) Imunoterapia ou vacina para alergia: utiliza extratos padronizados de ácaros da poeira e têm indicação similar à rinite. É importante recurso adicional já que nem sempre é possível colocar em pratica a profilaxia para inalantes e tem ótimos resultados clínicos no controle das conjuntivites alérgicas.