URTICÁRIA

por Dra. Kleiser Aparecida Pereira Mendes

A urticária é uma doença que interfere sobremaneira na qualidade de vida do paciente. É caracterizada por placas vermelhas de tamanho variado, com intenso prurido (coceira), que aparecem e desaparecem sem deixar manchas. Em cerca de 50% dos casos está associada ao angioedema (inchaço) das pálpebras, lábios, mãos, pés e genitália. Nos casos mais graves, a urticária/angioedema pode vir acompanhada de outros sinais como chiado no peito, dificuldade para respirar, diarreia e queda da pressão arterial caracterizando anafilaxia.

Os quadros de urticária são classificados como agudos, quando duram de um dia até 6 semanas, ou crônicos, que duram mais de 6 semanas e às vezes vários meses ou anos.

As causas de urticária /angioedema são variadas e incluem alergia a alimentos, medicamentos e aditivos alimentares, infecções virais e bacterianas, verminoses, doenças sistêmicas como a tireoidite ou ainda fatores físicos como pressão leve, calor, frio ou exercícios. Em alguns casos, vários fatores estão envolvidos em um mesmo episódio e muitas vezes não se consegue identificar o fator desencadeador ou mantenedor da urticária.

Os alimentos mais prováveis de causar urticária são os frutos do mar (camarão, lula, siri) nos adultos e ovo e leite nas crianças. Dentre os medicamentos, os analgésicos e anti-inflamatórios não hormonais (dipirona, ácido acetil salicílico (AAS), diclofenaco, entre outros) são os mais comuns, além de antibióticos e medicamentos para tratamento de pressão alta. Látex (borracha) e picadas de insetos como abelha e marimbondo também podem causar urticaria em indivíduos sensíveis.

O dermografismo (derme= pele, grafia = escrever, escrever na pele) é um tipo de urticária crônica de intensidade variável, causada por pressão leve na pele e que em determinadas situações pode interferir com a rotina do paciente interferindo no sono, no trabalho e na vida social do paciente. O estresse emocional pode estar contribuindo para a manutenção dos casos de urticária.

O angioedema hereditário é uma doença pouco comum aonde o angioedema não vem acompanhado de urticária. Geralmente ocorre em crianças e adolescentes, pode ser familiar e grave.

O diagnóstico de urticária/angioedema é basicamente clínico: a consulta e o exame físico são suficientes para o diagnóstico. Ás vezes, pode ser necessário a elaboração de um diário para correlacionar a urticária com algum fator. Alguns exames podem ser necessários para identificar a(s) causa(s). Os testes alérgicos estão indicados em determinados casos de urticária aguda a alimentos e alguns medicamentos após a regressão do quadro. Os exames laboratoriais são necessários para investigar doenças sistêmicas, angioedema hereditário ou em casos selecionados em que o teste alérgico é de risco para o paciente.

O tratamento baseia-se na identificação e afastamento do agente causal.
Os medicamentos são usados para controle dos sintomas intensos e/ou persistentes e usa-se os anti-histamínicos como primeira escolha na maioria dos casos. Deve-se optar pelos chamados anti-histamínicos não sedantes a fim de evitar sonolência e dificuldade para exercer tarefas diárias como dirigir ou trabalhar/ ir à escola. Em determinados casos, os anti-histamínicos sedantes são importantes para dar qualidade ao sono do paciente. Nos casos mais graves, os corticoides estão indicados.

Nos pacientes com angioedema hereditário, os anti-histamínicos e corticoides são pouco eficientes. Nestes casos, usam-se androgênios e, em casos selecionados, icatibante.

A urticária é uma doença bastante prevalente no nosso meio, envolvendo fatores variados com repercussão importante na rotina do paciente. A identificação do fator desencadeante/mantenedor do quadro assim como o controle dos sintomas é fundamental para uma boa qualidade de vida.