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RINITE ALÉRGICA

por Dra. Neide Freire Pereira


A rinite alérgica é a doença alérgica mais prevalente na população mundial. Em um estudo multicêntrico feito no Brasil na população pediátrica (Estudo ISAAC), viu-se que na faixa etária de 13 a 14 anos, a prevalência da rinite foi de 30%.

A rinite alérgica caracteriza-se por ser uma doença inflamatória crônica da mucosa nasal, de origem hereditária (ou seja, passa de pai para filho), cujos sintomas são desencadeados principalmente por fatores ambientais.

Os sintomas da rinite são: coriza abundante e aquosa, espirros repetidos, coceira (nariz, olhos, ouvidos, garganta) e obstrução nasal.

Para facilitar a indicação do tratamento, a rinite pode ser classificada como Intermitente, leve persistente, e moderada/grave.

Nos países europeus, na América do norte e naqueles cujas estações do ano são bem definidas e que existe intensa estação polínica, temos também a rinite sazonal. A rinite sazonal ou febre do feno, causada pelo pólen, é tão importante nesses países, que existe nos jornais uma sessão destinada a informar a quantidade de pólen que estará presente na atmosfera, assim como aqui temos a previsão do tempo. Aqui no Brasil, a rinite por pólen foi identificada no sul do país, sendo causada principalmente pelo pólen de gramíneas.

De maneira didática, pode-se dizer que existem 2 tipos de pacientes portadores de rinite:
1) aqueles que tem como sintomas principais os espirros e o nariz sempre escorrendo. E,
2) aqueles que têm seu nariz eternamente obstruído.

Os pacientes de nariz "molhado” se queixam de espirros, prurido (coceira) no nariz, olhos e ouvidos. É importante chamar a atenção para o acometimento ocular, ocasionando coceira nos olhos, avermelhamento da conjuntiva e lacrimejamento.

Já os pacientes obstruídos, têm como característica principal a congestão e obstrução nasal, podendo ser o único sintoma de sua rinite. Esta obstrução tem a característica de piorar à noite, principalmente quando o paciente deita.

Entre os fatores ambientais que desencadeiam as crises de rinite alérgica, citam-se: poeira domiciliar, cheiros fortes, mofos, fumaça de cigarro, poluição, pêlos de animais, mudança de tempo e polens. Há também os fatores ambientais ocupacionais como: pó de madeira, cheiro de resinas, cheiro e vapor dos produtos derivados do petróleo, biotérios, pó de ração de animais...

O tratamento da rinite alérgica varia de acordo com os sintomas e com a intensidade da doença. Nos casos onde a rinite é leve e intermitente, não há necessidade de tratamento contínuo. É muito importante que se faça o controle ambiental, sendo os remédios usados apenas nas crises.

Contudo, na rinite moderada, onde os sintomas são persistentes, interferindo na qualidade de vida do paciente, o tratamento deve ser contínuo e mantido não apenas nas crises. As medidas de controle ambiental e a imunoterapia complementam a terapêutica.

As principais medidas de controle ambiental são: retirar cortinas, tapetes, animais de pelo e mobília forrada de tecido e brinquedos de pelúcia. O quarto de dormir não deve ter estantes com livros, tapetes e cortinas e almofadões. O colchão e o travesseiro devem ser encapados com tecido impermeável, que deve ser limpo com álcool diariamente. O quarto deve ser arejado e bater sol. Se usar mosquiteiro, ele deve ser trocado ou lavado uma vez por semana. Protetores de berço também devem ser lavados uma vez por semana. Deve-ser preferir uso de brinquedos laváveis. O tabagismo está proibido para pais e avos de crianças alérgicas. Mas, se não conseguir evitar que a criança conviva com fumantes deve-se pedir que o fumante lave o rosto e as mãos e troque de camisa quando for cuidar da criança. Tomar cuidado com o cabelo que também fica impregnado do cheiro do cigarro e quando se pega a criança no colo, ela ficará exposta a esse cheiro, que por sua vez pode também ajudar no desencadeamento de crises.

A rinite é considerada por muitas pessoas como uma doença leve e sem gravidade, mas esta não é a realidade. A rinite não tratada pode levar ao acúmulo de secreções nas vias aéreas superiores acarretando no aparecimento de outras doenças como sinusites (acúmulo de secreção nos seios para nasais), otites, (acúmulo de catarro nos ouvidos), adenoamigdalites (deposição com infecção das amigdalas e adenoides). O nariz obstruído faz com que a pessoa respire com a boca aberta, causando irritação da garganta e acúmulo de secreção. Uma rinite pode também provocar agravamento das crises de asma, pelo escorrimento de catarro atrás do nariz e descida até os pulmões.

A rinite alérgica pode provocar diversas complicações, como por exemplo a sindrome do respirador bucal. Neste caso, a pessoa se acostuma a respirar com a boca aberta, o que leva a vários problemas, como: deformidade torácica, alteração na maxila, alteração dentária, inversão do padrão respiratório alteração na coluna vertebral. Como consequência da má oclusão dentária temos a dificuldade na mastigação, principalmente de fibras. Outra consequência da respiração bucal é o aumento do índice de cáries.

As otites de repetição podem alterar a acuidade auditiva e resultar em deficiência na alfabetização e aprendizado ou ainda em alterações comportamentais

A rinite é doença crônica, mas com alguns cuidados pode ser controlada e permitir que o paciente tenha uma vida normal. A prevenção é a base do tratamento das doenças alérgicas.