Esofagite Eosinofílica: Principais Atualizações do Consenso Brasileiro 2026

Boletim 11 –  Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia – Regional Rio de Janeiro (ASBAI-RJ)

A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença inflamatória crônica do tipo 2, cuja incidência vem aumentando e que atualmente representa uma das principais causas de disfagia e impactação alimentar. O primeiro Consenso Brasileiro, elaborado pela SBP e ASBAI, traz importantes atualizações para o diagnóstico e tratamento.

Os principais avanços incluem:

  • Novo conceito diagnóstico: pacientes responsivos aos inibidores da bomba de prótons (IBP) continuam sendo considerados portadores de EoE. A resposta ao IBP deixa de ser critério diagnóstico ou de exclusão da doença.
  • Padronização da endoscopia: recomendação de obtenção de pelo menos seis biópsias dos terços proximal e distal do esôfago, mesmo quando a mucosa parece normal, além do uso rotineiro do escore EREFS para descrição endoscópica.
  • Importância dos comportamentos alimentares: o consenso recomenda investigar sistematicamente sinais sugestivos de disfagia por meio do questionário IMPACT, valorizando alterações comportamentais que frequentemente precedem o diagnóstico.2
  • Mudança na abordagem alérgica: testes cutâneos, IgE específica e patch test não devem ser utilizados para definir dietas de exclusão, devido à baixa capacidade de identificar os alimentos responsáveis pela inflamação esofágica.
  • Dieta empírica menos restritiva: passa-se a priorizar a exclusão inicial de um ou dois alimentos, principalmente leite e trigo, evitando dietas extensas como a exclusão de seis alimentos, reduzindo impacto nutricional e melhorando a adesão.
  • Tratamento individualizado: IBP, corticosteroides tópicos deglutidos e dieta de exclusão apresentam eficácia semelhante como tratamento inicial, devendo a escolha considerar características e preferências do paciente.
  • Manutenção obrigatória: a EoE é reconhecida como doença crônica e recidivante, sendo recomendada terapia de manutenção após a remissão para prevenir fibrose, estenoses e remodelamento esofágico.
  • Avaliação da resposta ao tratamento: os sintomas isoladamente não são suficientes; a endoscopia com biópsias permanece o padrão-ouro para confirmar remissão histológica.
  • Perspectivas futuras: o dupilumabe é incorporado como alternativa para pacientes com doença refratária, múltiplas comorbidades atópicas ou dificuldade em manter dietas restritivas.
  • Abordagem multidisciplinar: reforça-se a atuação integrada entre gastroenterologista, alergista, nutricionista e patologista, com o objetivo de alcançar remissão clínica, endoscópica e histológica, preservar o estado nutricional e prevenir complicações a longo prazo.

 

Autoria: Dra. Natalia Estanislau 
Coordenadora da comissão de Alergia Alimentar da ASBAI-RJ

Editoração e revisão: ASBAI RJ

 

Referências:
  1. Cristina Targa Ferreir, Elisa de Carvalho, Carlos Marcelo Timossi, Luciana Rodrigues Silva, Maria do Carmo Barros de Melo, et al. Consenso Brasileiro de Esofagite Eosinofílica: Documento Conjunto da Sociedade Brasileira de Pediatria e Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.Arq Asma Alerg Imunol. 2026;10(1):e17041027 | https://doi.org/10.4322/2526-5393.17041027
  2. Oliva S, Arrigo S, Bramuzzo M, Cisarò F, Dabizzi E, Di Nardo G, et al. Eosinophilic esophagitis in children and adolescents: a clinical practice guideline. Ital J Pediatr. 2025;51(1):242. https://doi. org/10.1186/s13052-025-02056-x. PMid:40702503.

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