Boletim 04 – Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia – Regional Rio de Janeiro (ASBAI-RJ)
A adrenalina, termo mais popular, ou como é chamada cientificamente como epinefrina, permanece o tratamento de primeira linha para anafilaxia. Em 1987 foi aprovada o primeiro autoinjetor de adrenalina e a partir de 2005 recomenda-se a aplicação intramuscular, na região do músculo lateral da coxa. A adrenalina é um hormônio, uma catecolamina produzida pelas suprarenais, que age nos receptores adrenérgicos. A ação nesses receptores desencadeia aumento da contratilidade da musculatura lisa, culminando na vasoconstrição, aumento do débito cardíaco e broncodilatação, além de inibir a liberação de mediadores mastócitos e basófilos.
Os dispositivos para uso intramuscular são os mais conhecidos, até o momento, como EpiPen, Auvi‑Q, Jext, Anapen, Penepin, etc. São sistemas que padronizam a dose e reduzem erros de administração, considerados para pacientes com risco de anafilaxia recorrente.
Porém, mesmo após serem treinados e orientados, até 83% dos pacientes e cuidadores ainda hesitam ou não utilizam epinefrina durante uma reação alérgica.
Assim, ao longo dos anos, tem-se investido intensamente no desenvolvimento de novas tecnologias para a administração de adrenalina, com o objetivo de ampliar a facilidade de uso, melhorar a adesão dos pacientes e facilitar o acesso à terapia de emergência.
Uma das inovações mais relevantes é o spray nasal de adrenalina, como o Neffy, aprovado recentemente nos Estados Unidos. Esse dispositivo, usa uma técnica Intravail, que adiciona um alquilssacarídeo, facilitando a absorção nasal. A A adrenalina é administrada através da mucosa nasal altamente vascularizada, permitindo absorção sistêmica rápida sem necessidade de injeção. Estudos farmacocinéticos demonstraram que a concentração plasmática máxima e o tempo para atingir essa concentração podem ser comparáveis aos observados com a via intramuscular, embora fatores locais como congestão nasal ou rinite possam influenciar a absorção. Existem outros dispositivos de uso nasal em investigação.
Outra tecnologia em desenvolvimento é o filme sublingual de adrenalina, como o Anaphylm, o único, até o momento, que utiliza um sistema de dissolução rápida sob a língua para liberação sistêmica do medicamento. Esse formato busca oferecer uma alternativa mais aceitável para pacientes que apresentam receio de agulhas ou dificuldades no uso de autoinjetores. O Anaphylm, filme sublingual está sendo revisto, considerando-se a dificuldade em abrir o sachê do filme do medicamento, o que poderia limitar o seu uso. Outros produtos tanto sublinguais quanto nasais estão sendo pesquisados.
Apesar dessas inovações, a via intramuscular continua sendo o padrão ouro recomendado pelas principais diretrizes internacionais, devido à sua farmacocinética previsível e eficácia clínica amplamente comprovada. Porém, os novos dispositivos representam estratégias complementares que podem ampliar o acesso ao tratamento e reduzir barreiras ao uso precoce da adrenalina — fator crítico, uma vez que o atraso na administração está associado a maior risco de desfechos graves. A escolha do dispositivo ideal deve ser individualizada e baseada em decisão compartilhada, considerando acesso, facilidade na aplicação, disponibilidade e adesão do paciente.”

Referências Bibliográficas:
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